Preta Fernanda

Preta Fernanda

Retrato in Memórias d’uma colonial, 1912.

Personalidade que ficou famosa na vida lisboeta embora seja difícil determinar a sua verdadeira biografia por estar envolta em muita fantasia.

Segundo um livro publicado em 1912 com o título Memórias d’uma colonial (Memórias da preta Fernanda), escrito por A Totta e F. Machado, de acordo com informações que teriam sido prestadas pela referida preta Fernanda mas certamente com muita fantasia.

Tal personalidade não se chamava Fernanda Vale, como aí foi designada, mas seria na realidade Andressa do Nascimento Pina ou Andresa (ou Andreia?!), nascida em Cabo Verde, na ilha de Santiago, em maio de 1859, ou segundo outros documentos em Bissau cerca de 1877, pois ao falecer em 20 de agosto de 1927 teria 50 anos, segundo as investigações levadas a cabo por Francisco Santana e Maria Cristina Neto em que contestam a veracidade das informações do livro. Os mesmos autores apuraram que a chamada preta Fernanda seria na realidade mulata e que a garraiada em Algés em que se vestiu de toureira tal como foi retratada por Alberto Souza para a capa do referido livro, ocorreu em 25 de junho de 1909.

Registou-se ainda o facto de ela em 14 de abril de 1917 ter comparecido na apresentação do Manifesto Futurista de Almada Negreiros, no Teatro República, atualmente São Luiz.

Não é de excluir que a dita “preta Fernanda” tenha estado associada a salões de prostituição, ainda que também seja de admitir a possibilidade de ter frequentado teatros.

No referido livro também se alegou que ela teria servido de modelo para representar a figura feminina da base do pedestal do monumento de homenagem a Sá da Bandeira, na Praça D. Luís, o que não se afigura seguro.


Capa do livro Recordações d `uma Colonial (Memórias da preta Fernanda). Aguarela de Alberto de Sousa. 1912


Monumento a Sá da Bandeira. Escultor Giovanni Ciniselli; arquiteto Germano José de Sales. 1884