Museu Nacional de Etnologia

“Prisão de Escravos”: testemunho de uma história sombria

O Museu Nacional de Etnologia coloca em destaque um objeto que evoca a escravatura, uma das práticas mais sombrias das relações entre distintos povos e culturas. Este objeto, um dos raros exemplos existentes em Portugal de um “Grilhão” ou “Prisão de Escravos”, ilustra uma particular violência e desumanidade, pelo facto de, aprisionando conjuntamente punhos e tornozelos, resultar na sua imobilização e subjugação total do escravo.

Tratando-se de um testemunho cultural que nos remete para uma das dimensões mais infelizes da história da humanidade, uma vez que a escravatura foi praticada ao longo de milénios, em inúmeras sociedades, esta “Prisão de Escravos”, consiste também num testemunho concreto do tráfico atlântico que, ao longo de quatro séculos, amputou inúmeras sociedades africanas, deslocando milhões de homens, mulheres e crianças para suportar a ocupação e a exploração das Américas por parte dos seus “descobridores” europeus.

Certamente utilizada no aprisionamento de escravos de proveniência africana, até à extinção formal da escravatura no Brasil, em 1888, esta “Prisão de Escravos” foi adquirida em Ouro Preto (Minas Gerais) em 1965, por Victor Bandeira, no âmbito da expedição que realizava para constituição de uma coleção representativa dos povos indígenas do Brasil, que veio a ser incorporada no Museu Nacional de Etnologia em 1970.


Prisão para escravos

Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil

Adquirida por Victor Bandeira, 1965

MNE. Inv. MNE: AO.019


Seleção de peças e texto: Paulo Ferreira da Costa e Ana Botas

Prisão de escravos

Museu Nacional de Etnologia

Peças e Documentos

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