Museu Nacional de Arqueologia

Um Museu. Tantas coleções!

O Museu Nacional de Arqueologia conserva nas suas vastas e diversificadas coleções um notável conjunto de Bens Culturais que remetem quer para a presença de populações africanas no nosso território, quer para a presença portuguesa em África, em que a temática da escravatura negra assume particular relevância.

A José Leite de Vasconcelos, fundador e primeiro diretor do então Museu Etnográfico Português, se deve a recolha de significativas coleções de cariz arqueológico, etnográfico e documental, bem como os seus estudos “A Antroponímia Portuguesa” e “Etnografia Portuguesa”.

Manuel Heleno, seu sucessor na direção do Museu, contribuiu para aprofundar o tema da escravatura ao publicar a pioneira obra “Os Escravos em Portugal”, desde a Antiguidade até à Idade Média.


Núcleo 1

Para além dos testemunhos epigráficos assinalados na Exposição “Religiões da Lusitânia” apresentam-se neste primeiro núcleo três objetos arqueológicos de Época Romana. Especial relevo merece a lucerna proveniente da cidade romana de Balsa pela iconografia presente. Os dois fragmentos de Terra Sigillata Itálica, adquiridos por José Leite de Vasconcelos na viagem que efetuou a Roma em 1913, refletem o interesse do fundador do Museu Nacional de Arqueologia, na temática da escravatura na Antiguidade.

1. Lucerna com representação de escravo e ânfora

Sécs. I-II d.C.

Cerâmica

Balsa, Luz de Tavira – Nº 14627 . MNA

Lucerna romana apresentando decoração moldada no disco, de um escravo de tronco nu rolando uma ânfora. Esta lucerna é originária, possivelmente do Norte de África, onde foi realizada em molde bivalve. Na base exibe a marca de oleiro AVFIFRON, ou seja, da oficina de Aufídio Frontão.

2. Fragmento de fundo de taça de Terra Sigillata Itálica

Século I d.C.

Cerâmica

Roma. Nº GI 6

No fundo interno apresenta marca de um oleiro de Arezzo, dentro de um retângulo: DIOME/P.CORN (P. Cornelivs (escravo de Diome(des), OCK 638.1. MNA

3. Fragmento de taça de Terra Sigillata Itálica

Século I d. C.

Cerâmica

Roma. Nº. GI 4 . MNA

No fundo interno apresenta marca de oleiro, dentro de um retângulo: NAST/TITI. N (C. Titus Nepos; Nastra (escravo)) OCK 2193.1. e um grafito com a letra Y.


Núcleo 2

As cinco peças de figurado de barro apresentadas, foram recolhas e aquisições de José Leite de Vasconcelos efetuadas entre os finais do século XIX e os primeiros decénios do século XX. Este tipo de peças ilustra e documenta a presença de população negra no nosso território que aqui chegou por via da escravatura, sendo frequentes as representações de diferentes atividades e profissões. Os dois denominados “paliteiros”, não têm proveniência conhecida, mas dadas as suas características formais e estilísticas podem ser oriundas das olarias de Estremoz. As restantes três peças vieram de Vila Nova de Gaia e podem tratar-se de produções das célebres olarias de Barcelos, cuja origem alguns autores situam no séc. XVI, ricas de informação histórica e etnográfica.

1. Mulher negra de tanga

Cerâmica policromada

Vila Nova de Gaia. Nº ETNO 5221. MNA

2. Negro fardado

Cerâmica policromada

Vila Nova de Gaia. Nº ETNO 5189

3. Soldado de África

Cerâmica policromada

Vila Nova de Gaia. Nº ETNO 5188. MNA

4. Paliteiro figurativo

Cerâmica policromada

Proveniência Desconhecida. Nº ETNO 3707. MNA

Créditos Fotográficos : DGPC/ADF/Luisa Oliveira e José Paulo Ruas

5. Paliteiro figurativo

Cerâmica policromada

Proveniência desconhecida. Nº ETNO 3706.MNA

Créditos Fotográficos : DGPC/ADF/Luisa Oliveira e José Paulo Ruas


Núcleo 3

Apresenta-se um conjunto de instrumentos de sujeição maioritariamente constituído por algemas e grilhetas, recolhidos por José Leite de Vasconcelos em território português, sem indicação de função ou de utilização. São escassos os testemunhos materiais sobre os instrumentos utilizados seguramente no apresamento de escravos e igualmente escassa a iconografia a ele associada. É pois provável que para este fim fosse utilizado o mesmo tipo de instrumentos de sujeição usados por condenados ou por pessoas em qualquer outra condição de captura e aprisionamento.

1. Grilheta de pés

Ferro

Proveniência desconhecida. Nº - ETNO 5071. MNA

Grilhetas de pés, de ferro, constituídas por duas meias argolas, unidas por uma corrente de 34 elos alongados, com as extremidades perfuradas e atravessadas por um grosso espigão, rematado numa extremidade por uma cabeça circular e na outra por uma abertura atravessada por uma pequena lingueta, igualmente de ferro.

2. Algemas de mãos

Ferro

Proveniência desconhecida. Nº ETNO 5068.MNA

Algemas de ferro, constituídas por dois aros com estrangulamento mediano e extremidades extravasadas, rematadas por terminais em argola. Um dos aros apresenta-se fechado por um fecho tubular, que seria aberto por meio de uma chave. O outro aro é fechado por um dos elos da corrente que liga os dois aros. A corrente é composta por seis elos, três deles entrelaçados, formando o elemento de fecho do segundo aro.

3. Coleira de pescoço

Ferro

Proveniência desconhecida. ETNO 2016.1.14. MNA

Coleira de pescoço em ferro constituída por dois aros idênticos, articulados através de um encaixe em elo para permitir mobilidade, rematados por terminais de forma ovalada e vazada, por onde passaria uma corrente ou um sistema de fecho.

4. Grilheta de mãos ou de pés

Ferro

Proveniência desconhecida. Nº 2016.1.15. MNA

Grilheta de mãos ou de pés em ferro, constituída por dois aros idênticos, articulados através de um encaixe em elo para permitir mobilidade, rematados por terminais de forma ovalada e vazada, por onde passaria uma corrente ou um sistema de fecho.

5. Algemas

Ferro

Proveniência desconhecida. Nº 2016.1.16 .MNA

Algemas constituídas por uma chapa de ferro dobrada em aro na zona mediana, que se prolonga em terminais vazados de forma quadrangular e paralelos entre si. Apresenta ainda um aro aberto e móvel, de forma retangular, colocado na zona de junção do aro com os terminais.

6. Algemas

Ferro

Proveniência desconhecida. Nº ETNO 5067.MNA

Algemas de ferro constituídas por dois semi aros unidos por um sistema de fecho fixo, contendo a meio um elemento separador. Apresenta no terminal um elemento tubular integrando o sistema de fecho e a respetiva chave.

7. Algemas

Ferro

Sabugal. ETNO 5069.MNA

Algemas de ferro constituídas por dois semi aros unidos por um sistema de fecho fixo, contendo a meio um elemento separador.

8. Algemas

Ferro

Proveniência desconhecida. ETNO 5069 A. MNA

Algemas de ferro constituídas por dois semi aros unidos por um sistema de fecho fixo, contendo a meio um elemento separador. Apresenta no terminal um elemento tubular integrando o sistema de fecho.

9. Grilheta

Século XVIII

Ferro

San Pedro de Alcântara. Nº SPA X24.MNA

Grilheta. Peça cilíndrica curva, com olhais nas extremidades, pelos quais passa um corpo, também cilíndrico. Este apresenta uma extremidade piriforme e a outra afunilada. Nesta existe uma protuberância bastante pronunciada, na qual encaixa uma “cunha” que tranca o conjunto. Esta peça era aplicada no tornozelo de prisioneiros.

Direção-Geral do Património Cultural / CNANS / MNA

10. Coleira de Escravo

Carvalhal. Bombarral. Leiria

Século XVIII

MNA. Nº Inv. E 1688

Peso: 205,02 g.

Coleira em liga de cobre constituída por duas lâminas curvas, uma fraturada e consolidada pela aposição de uma lâmina de ferro, unidas atrás por um elemento retangular tetrafólio, preso por rebites. À frente apresenta um sistema de fecho constituído por idêntico elemento rectangular tetrafólio, preso igualmente por rebites, com uma abertura vertical, onde encaixa uma pequena aselha hemisférica. Os topos apresentam-se arredondados pelo afeiçoamento da lâmina, dobrada para o interior, que apresenta ainda uma assinatura: “des FV” (Desenho de Francisco Valença), efetuada entre 1920 e 1952. Apresenta decoração geométrica gravada, constituída por cercaduras de pequenos motivos irregularmente cruciformes e espinhados, dispostos em ambos os topos, delimitando uma zona central em reserva que contém uma inscrição igualmente gravada em caracteres capitais: ESTE PRETO HEDEAGO DELAFETADOCARVALHAL/DEOBIDOS. O elemento de fecho apresenta idêntica decoração. Trata-se de uma recolha de José leite de Vasconcelos para o Museu entre 24 e 29 de Junho de 1908.

11. Coleira de Escravo

Séc. XVIII (?)

Proveniência Desconhecida

MNA. Inv. ETNO 2017.1.2 .

Peso 301,04 g.

Coleira em liga de cobre, articulada, constituída por duas lâminas curvas, unidas atrás por um sistema de dobradiça e apresentando à frente um sistema de fecho em forma de cápsula, de forma rectangular, fixo por rebites e dotado de abertura para chave. Uma aselha retangular disposta na vertical completa o sistema de fecho. Os aros são simples e contêm uma inscrição gravada na zona mediana do aro, em caracteres cursivos: este escra/uo he de Luis Cardoso de Mello m/or em Ben/avente.

Esta coleira, adquirida pelo Museu à Agência Soares & Mendonça, Lda., em 29 de Outubro de 1944, pertenceu ao Dr. Vítor Borralho. A inscrição refere que o proprietário é morador em Benavente, contudo não é possível atribuir-lhe essa proveniência.


Núcleo 4

Nesta vitrina mostra-se um conjunto de objetos que integraram os sistemas pré-monetários utilizados na África subsariana, no âmbito das trocas comerciais em geral e, também, no comércio e tráfico de escravos realizado a partir do séc. XVI, na costa ocidental africana.

Entre estes objetos destacam-se as manilhas feitas em ligas de bronze e produzidas em diversas cidades da Inglaterra, França e Alemanha. Semelhantes na forma a braceletes, adorno muito apreciado entre as populações africanas como símbolo de estatuto, riqueza e poder, as manilhas-braceletes tornaram-se num dos objetos de troca mais difundidos no comércio entre a Europa, África e as Américas.

Para além das manilhas-braceletes, também outro tipo de lingotes, como os pequenos aros espiralados e as cruzetas de cobre de diferentes pesos serviram de meio de troca no tráfico de escravos.

As fontes disponíveis referem o número de manilhas usadas na troca (resgate) de escravos em África.

Segundo o Esmeraldo de Situ Orbis, de Duarte Pacheco Pereira, um escravo, proveniente do Benim (actual República do Benim), nos primeiros anos do século XVI, poderia ser trocado por 10 a 12 manilhas.Alguns anos mais tarde, como refere o Regimento da Casa da Mina (Feitoria de São Jorge da Mina, actual Gana), um escravo já custaria entre 40 a 50 manilhas.

Devido ao aumento do tráfico de escravos e da necessidade de trazê-los, cada vez mais do interior do continente africano, o que implicava um gasto superior de tempo na sua recolha e deslocação, entre os inícios do século XVI e 1530, o seu valor no Benim, Mina ou na Feitoria de Arguim (ilha da actual Mauritânia) aumentou cerca de 6 vezes (500%).

1. Manilha

África?

Bronze ou latão

Nº ETNO 148. MNA

Manilha em forma de bracelete aberto com terminais lisos e espessados, de forma cónica. Apresenta decoração incisa, geométrica, organizada em métopas, de triângulos preenchidos a reticulado, inscritos em cartelas retangulares delimitadas por fiadas de círculos.

2. Manilha

Guiné. Bijagós.

Bronze ou Zinco

Nº ETNO 147. MNA

Manilha em forma de bracelete aberto de forma subcircular, com um apêndice na zona mediana do aro de forma subcilíndrica, rematado por terminais aplanados de forma rectangular. Apresenta decoração geométrica incisa de triângulos preenchidos a reticulado.

3. Manilha

Guiné.

Bronze ou latão

Nº ETNO 149 . MNA

Manilha em forma de bracelete aberto de forma circular, com três apêndices na zona mediana do aro, rematado por terminais aplanados de forma rectangular. Apresenta decoração geométrica incisa organizada em métopas, de triângulos preenchidos a reticulado.

4. Aro espiralado

África

Bronze

Nº ETNO 150.MNA

Aro espiralado de duas voltas com decoração de pequenas incisões oblíquas paralelas, e terminais espessados de forma hemisférica.

5. Aro espiralado

África

Bronze

Nº ETNO 151.MNA

Aro espiralado de três voltas rematado por terminais aplanados.

6. Cruzeta

África?

Cobre

Nº ETNO 2016.1.19.MNA

Lingote em forma de cruzeta. Estes curiosos objetos cruciformes foram durante séculos utilizados como meios de troca e de pagamento, historicamente documentados pelo menos desde o século XIII. Foram produzidos em larga escala no Katanga, uma província rica em jazidas mineiras do reino do Congo. Tal como muitos outros objetos utilizados em África como meio de troca, também as cruzetas incorporaram outros significados, quer como reservas de matéria-prima, quer como símbolos e insígnias de poder.

7. Escravo com grilheta

Bronze

Coleção Barros e Sá. Nº 987.54.2

República do Mali. Cultura Dogon

Indivíduo de sexo indeterminado, mostrando grande argola ou grilheta, no tornozelo direito, com que era preso aos grilhões. Em liga de cobre, fundido pelo processo da cera perdida, conhecido no Mali a partir do século XI. Os Dogon foram, ao longo de muitos séculos, vítimas do comércio de escravos, desenvolvido pelas populações muçulmanas situadas a norte deles, tendo tido tal prática grande impacto económico, social e cultural, pelo que se encontra registada, através da torêutica criada para ser depositada nas casas-santuário.


Núcleo 5

Missangas de cores variadas e contas de pasta vítrea figuram entre os bens trocados durante os séculos XVI-XVIII, entre Portugal e a costa de África, onde eram utilizadas maioritariamente em adornos e objetos de ritual. Os cauris e outras conchas, para além desta utilização, possuíam também valor monetário, tendo sido utilizados durante largo tempo no comércio de escravos e de outras mercadorias.

Os objetos deste núcleo e dos dois anteriores, integraram a antiga Secção de Etnografia Colonial do Museu Etnográfico Português/Museu Etnológico Português, sendo escassa ou inexistente, em muitos casos, a informação sobre proveniência, contexto e circunstância de recolha das diferentes coleções. Trata-se essencialmente de objetos doados e de aquisições de José Leite de Vasconcelos provavelmente obtidos entre o final do século XIX e primeiras décadas do século XX, com o propósito de servirem como coleções comparativas.

1. Colar de missangas

África

Fibras vegetais e pasta vítrea

Nº ETNO 2014.1.29. MNA

Colar constituído por fiadas de missangas de cor azul anilada intercaladas por contas ovais de vidro amarela, ladeadas por contas esféricas de tom laranja e contas discóides de cor preta e branca.

2. Colar de missangas

África

Fibras vegetais e pasta vítrea ou massa

Nº ETNO 2014.1.31. MNA

Colar composto por uma fiada de pequenas contas cilíndricas de cor branca com listas verticais de cor negra, intercaladas por conjuntos de contas vermelhas e negras.

3. Adorno de missangas

África

Fibras vegetais, pasta vítrea e sementes

Nº ETNO2014.1.30.MNA

Colar ou adorno composto por fiadas de pequenas missangas organizadas em quatro segmentos, unidos a meio por contas de vidro verde-claro. De cada lado do elemento central dispõem-se fiadas de missangas negras, rematadas por contas verdes a que seguem fiadas de missangas vermelhas. De cada uma das extremidades pende um conjunto de três frutos secos ou sementes de forma oval.

4. Colar de missangas

África

Pasta vítrea ou massa

Nº ETNO 2016.1.20. MNA

Conjunto de setenta e seis contas de diversas tonalidades. Predominam as contas brancas com riscas verticais nas cores de azul, rosa e verde, separadas por conjuntos de contas verdes e azuis e duas contas isoladas de cor vermelha.

5. Colar compósito ou adorno de missangas e cauris

África

Pasta vítrea e cauris

Nº ETNO 2016.1.21. MNA

Colar ou adorno de contas de missanga e conchas de cauri. As contas são semiesféricas e de diversas cores: branca, azul, amarela, verde e castanha. É rematado por um peitoral constituído por três pequenos cilindros revestidos de missangas, de onde pendem três elementos triangulares cujas extremidades exibem conchas de cauri.

6. Elemento de adorno ou de ritual

África

Tecido de algodão e concha

Nº ETNO 2016.1.22 .MNA

Elemento de adorno constituído por uma tira de tecido de cor vermelha, com dez conchas de cauri cozidas.

7. Tabaqueira ou bolsa

Moçambique?

Fibras vegetais e pasta vítrea

Nº ETNO 193. MNA

Tabaqueira rectangular de fibras vegetais, feita pela técnica do entrecruzado, composta por dois elementos que encaixam entre si. A bolsa é integralmente revestida com missangas de cores variadas - amarelas, vermelhas, verdes, negras e brancas, formando uma decoração geométrica.

8. Conjunto de contas tubulares de pasta vítrea

Pasta de vidro policromado

Convento de Chelas. Nº 21669-21672

MNA

Conjunto de contas de pasta vítrea polícroma, de forma tubular e lisa e outras de forma ovóide decoradas com padrão de ziguezague, comummente designadas por “rosetas” , “stars” e “chevrons”. Este tipo de conta de origem veneziana foi extensamente usado como mercadoria de troca desde o século XV no comércio com África, quer pelos portugueses, quer pela generalidade dos países europeus envolvidos no comércio com a África subsaariana.


Núcleo 6

Documentação Bibliográfica


Coordenação Geral: António Carvalho

Comissariado científico: Ana Isabel Palma Santos e Lívia Cristina Coito

Paliteiro figurativo

Museu Nacional de Arqueologia

Peças e Documentos

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