Museu Nacional da Música

No âmbito das comemorações de Lisboa 2017, Capital Ibero-americana de Cultura, o Museu Nacional da Música, foi convidado pelo Gabinete de Estudos Olisiponenses, da Câmara Municipal de Lisboa a integrar o projeto intitulado Testemunhos da Escravatura. Memória Africana.

Partindo do núcleo de instrumentos musicais africanos do museu, foram selecionados alguns instrumentos musicais ligados às migrações, ao trabalho, ao lazer e à religião que terão sido utilizados durante o período da escravatura.

Neste núcleo de instrumentos africanos alguns remontam ao conjunto inicial de instrumentos do museu colecionados por Alfredo Keil (1850-1907), outros são fruto de doações. Salientamos os quissanjes e as rabecas, exemplares de grande valor organológico.


1. Banjo

Autor desconhecido. Portugal

Século XX

Madeira, metal, pele

Museu Nacional da Música, Lisboa, Portugal. Inv. MNM 1185

O Banjo africano como é conhecido foi introduzido pelos escravos nos Estados Unidos no início do século XIX. Considerado como o instrumento africano mais importante trazido para os Estados Unidos, ganhou um maior relevo nos espetáculos dos menestréis.


2. Kora

Autor desconhecido. Guiné

Século XX

Cabaça pintada, pele de caprino, madeira de arbusto, metal /

Museu Nacional da Música, Lisboa, Portugal. Inv. MNM 1248

A Kora é um instrumento tradicional de cordas, principalmente da região do Senegal, Guiné, Gâmbia entre outros. Da família dos alaúdes, possui 21 cordas, sendo tocada tradicionalmente para acompanhar contadores de histórias. Entre o séc. XVI e XVIII muitos povos destes países foram levados como escravos para os Estados Unidos, levando consigo este instrumento musical.


3. Quissange (Sansa)

Autor desconhecido. África

Século XIX

Arame, ferro, madeira / Wire, iron, wood

Museu Nacional da Música, Lisboa, Portugal. Inv. MNM 790

O Quissange é um instrumento de percussão de metal, existindo em vários países ao sul do Sahara possuindo igualmente diferentes designações tal como Sansa, Mbira ou Lamelofone. A sua presença no Brasil é originada pelos escravos africanos.


4. Balafon

Autor desconhecido

Século XX

Madeira, pele, cabaça

Museu Nacional da Música, Lisboa, Portugal. Inv. MNM 1365

O Balafon é um instrumento de percussão de madeira, precursor do Xilofone. Possui lâminas de madeira sobre cabaças que funcionam como caixas de ressonância. O instrumento foi levado para a América Latina pelos escravos.


5. Berimbau

Autor desconhecido. Angola

Século XX

Vime, sementes de árvore

Museu Nacional da Música, Lisboa, Portugal. Inv. MNM 1310

O Berimbau é um instrumento tradicional africano de percussão. Apesar de vulgarmente ligado à capoeira no Brasil, em África era utilizado para acompanhar danças e rituais. Durante o período da escravatura o instrumento foi inserido no Brasil e também na Índia.


6. Tambor Africano

Autor desconhecido. Moçambique

Madeira, pele / Wood, skin

Museu Nacional da Música, Lisboa, Portugal. Inv. MNM 579

O tambor é um instrumento de percussão disseminado pelo continente africano. Habitualmente associado a danças e rituais religiosos, no período da escravatura era muitos vezes proíbida a sua prática por receio de estarem associados a formas de comunicação entre os escravos.


7. Rabeca

Autor desconhecido. África

Século XX

Palmeira, metal

Museu Nacional da Música, Lisboa, Portugal. Inv. MNM 467

A rabeca é um instrumento tradicional africano de cordas. Nos Estados Unidos era comum os escravos dançarem ao som das rabecas e do banjo.


8. Reco-Reco

Autor desconhecido. Portugal

Século XX

Madeira

Museu Nacional da Música, Lisboa, Portugal. Inv. MNM 380

O reco-reco é um instrumento da família dos idiofones, feito de madeira ou bambu. Terá sido levado para o Brasil pelos escravos africanos.

Xilofone

Peças e Documentos

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