Museu Militar

As representações da escravatura no Museu Militar de Lisboa

A escravatura não parece, à primeira vista, um tema para um museu militar. Apesar disto, é possível vislumbrar representações associadas a esta realidade no Museu Militar de Lisboa. Estas representações aparecem nas alegorias dos continentes que figuram nos tetos mais antigos (século XVIII) deste Museu.

Desta forma, no Peristilo, e da autoria de Bernardino Pereira Pegado e Pedro Alexandrino, temos figuras femininas, com os atributos relacionados com os respetivos continentes (a cornucópia da riqueza para a Europa, o turíbulo para a Ásia, a cabeça de elefante para a África e o toucado de penas para a América), acompanhadas por homens acorrentados, numa alusão clara à subjugação dos povos e à escravatura.

Na Sala D. Maria II, nos cantos, aparecem também figuras femininas, com os atributos continentais menos evidentes, mas sempre acompanhadas por homens acorrentados. Estas pinturas são desenhos da autoria de Feliciano Narciso, pintados por António Caetano da Silva, António dos Santos Joaquim e Bruno José do Valle. Ainda estão expostas manilhas que eram colocadas nos tornozelos dos escravos africanos, e que foram doadas ao Museu.

De notar que em salas mais recentes do Museu, datadas do início do século XX, aparecem ainda figuras femininas como alegorias aos continentes, acompanhadas dos respetivos atributos, mas já sem as representações esclavagistas.



Grilhões e Manilhas

Os grilhões, ou algemas, serviam para manter subjugados os escravos em ocasiões em que fosse possível a sua fuga. Eram colocadas nos tornozelos ou nos pulsos, como neste caso, e eram feitas de ferro ou aço.

As manilhas, metálicas e pesadas, eram colocadas no tornozelo. Eram utilizadas pelos escravos como identificadoras da sua condição e para dificultar a sua possível fuga.


Seleção de Peças e Texto: Museu Militar de Lisboa

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