Museu de Artes Decorativas Portuguesas (FRESS)

Apresenta-se um conjunto de peças com a representação do negro como elemento exótico, como “tipo” popular e, provavelmente, na condição de escravo, ou de liberto, como serviçal integrado na sociedade e no quotidiano urbano, executando as habituais funções domésticas.


1. Tapeçaria “Cortejo com girafas”

Oficina de Tournai, séc. XVI (c. 1510) Teia de trama, lã e seda MADP - Inv. 37

Tecida em Tournai no início do séc. XVI, esta tapeçaria é considerada uma das mais antigas da série À Maneira de Portugal e da Índia. Estudos recentes sugerem que o cortejo representado se possa ter baseado em descrições da África Oriental que circulavam naquele tempo, sendo provável que procure retratar uma região específica visitada pelos portugueses no reinado de D. Manuel I (1495-1521) e que suscitava então vasto interesse na Europa. A composição é dominada por cinco girafas, identificando-se ainda um elefante, parte de uma zebra, um leopardo ou chita e, perto deste, a cabeça de um animal que poderá corresponder a um crocodilo. Uma festiva multidão acompanha as girafas e restantes animais no desfile: homens, mulheres e crianças, nus ou trajados com vestes coloridas e adornados com adereços em ouro, sendo possível identificar africanos, ciganos, mouros e mamelucos. Essa diversidade estende-se igualmente à flora, e ao fundo de arquitecturas de referente asiático, acentuando o efeito de elevado exotismo que excede todos os precedentes históricos conhecidos.


2. Par de Canecas

Portugal, fabrico do Norte Século XIX (Início),

Faiança policroma MADP - Inv. 732/1/2

Canecas antropomórficas em faiança, representando figura masculina negra, trajando jaqueta verde, calções de fantasia, capa negra comprida sobre o ombro esquerdo e sapatos também negros. Com bocal em forma de tricórnio assentam sobre uma base quadrangular irregular. Têm nas costas uma asa.


3. Parábola do filho pródigo - A partida

José Gualdino de Mattos s.d. Século XVIII (segunda metade)

Óleo s/ tela MADP - Inv.685

Esta pintura, integra um conjunto de quatro telas alusivas à parábola do Filho Pródigo, S. Lucas (XV, 11-32). A partida retrata o primeiro momento desta parábola. A cena passa-se no exterior e é dominada por um grupo de personagens masculinas. Ao centro, o filho que se encontra de partida, despede-se do pai que tenta demove-lo convidando-o a entrar em casa. Junto à entrada desta é visível um criado negro trajando à maneira do séc. XVI, contrastando com o traje de todas as outras figuras já ao estilo do séc. XIX.


4. A dança do Minuete

José Gualdino de Mattos s.d. Século XVIII (segunda metade)

Óleo s/ tela MADP - Inv.684

Inserida num conjunto de telas alusivas à Parábola do Filho Pródigo, a Dança do Minuete faz alusão à vida desregrada e de esbanjamento que viveu após ter abandonado a casa do pai. Trata-se de uma cena passada no interior de uma sala. Ao centro, de casaca vermelha, o Filho Pródigo dança com uma dama. À esquerda desta podemos ver sete músicos. À direita do Filho Pródigo um grupo de homens e mulheres assiste à dança. Junto deles um criado negro. Ao fundo é visível uma mesa, posta para uma refeição.


5. Negro Servindo

Anónimo s.d. Século XVIII (segunda metade)

Óleo s/ madeira MADP - Inv. 572

Pintura representando um negro, usando brinco, trajando à moda do séc. XVI. Segura com as duas mãos uma bandeja com frutos. À sua direita um tapete cobre provavelmente uma mesa. Como pano de fundo uma janela, emoldurada por um reposteiro de veludo, através da qual se vê uma embarcação. Na parte superior da janela, pendurado num cordão uma ave exótica.


6. Negra com Bandeja

Anónimo s.d. Século XVIII (segunda metade)

Óleo s/ madeira MADP - Inv. 586

Representação de uma negra com vestido de veludo e lenço na cabeça. Esta usa jóias e segura na mão uma bandeja em metal, com frutos. À direita uma jarra com flores. No canto superior esquerdo é visível um reposteiro em veludo vermelho. Junto deste um cordão e uma borla também vermelhos.


7. À Porta da Igreja

Anónimo s.d. Século XVIII

Óleo s/ madeira MADP- Inv.690

Pintura que tem como cenário a entrada de uma igreja, junto à qual se destaca, sentada no chão uma vendedora, que retira algo do seu cesto para vender a uma criança. No átrio de acesso à igreja podemos ver várias figuras, entre elas, ao centro, caminhando para a porta, uma figura feminina acompanhada de uma criança. Em sentido oposto, descendo os degraus que delimitam o espaço sagrado, em lugar de destaque em relação ao observador, podemos ver uma figura feminina e a seu lado uma negra que, pela postura, lhe parece falar.

À porta da Igreja

Peças e Documentos

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