Museu da Marioneta
Teatro de Bonecos Popular do Nordeste Brasileiro
“Mamulengos” é um dos nomes porque são conhecidos os bonecos utilizados no teatro de marionetas popular do Nordeste do Brasil onde existem influências de culturas africanas e indígenas, assim como do teatro de marionetas itinerante da Europa.
As marcas africanas podem ser encontradas por exemplo, na presença de danças e cantos de caboclos, importados ainda no tempo do tráfico de escravos vindos do continente africano. Para além disso, é também referido que o termo “mamulengo” deriva de uma palavra em kikongo (uma das línguas Bantu falada no Congo e República Democrática do Congo), “miLengo”, que significa “maravilha ou milagre”, ou mesmo de “malungo”, palavra usada para “companheiro, camarada”. (A este respeito, vide: Nei Lopes, Novo Dicionário Banto do Brasil, Rio de Janeiro, Pallas, 2003, pág.135 e Izabela Costa Brochado, Mamulengo Puppet theatre in the socio-cultural contexto of twentieth-century Brazil. Tese de Doutoramento em Filosofia. Samuel Beckett Centre School of Drama. Trinity College Dublin, 2005.)
A influência do teatro de bonecos popular da Europa é visível sobretudo no que diz respeito ao lado satírico que desafia a autoridade e as instâncias de poder.
As peças são curtas, com um enredo central a partir do qual é permitido ao bonecreiro improvisar. Os bonecos são normalmente esculpidos em madeira, sendo também utilizados outros materiais, como tecidos ou fibras vegetais. Cada personagem tem um tipo bastante definido que corresponde a determinadas características físicas, facilmente identificáveis pela audiência. Muito semelhantes aos seus congéneres europeus, como Pulcinella em Itália ou Dom Roberto em Portugal, são frequentemente personagens cómicas que ridicularizam a autoridade.
A estrutura que envolve o bonecreiro é também igual à utilizada no nosso país: uma barraca de quatro lados, com a estrutura de madeira ou alumínio, é coberta por tecidos tradicionais, de maneira a esconder o marionetista que manipula as marionetas que aparecem por cima.
De entre os enredos mais comuns, encontra-se a história de um negro – que pode adotar os nomes de Benedito, Baltazar ou Casimiro Coco –, vaqueiro de cor negra, trabalhador na fazenda de um proprietário rico onde vai lutando com vários opositores, normalmente figuras de autoridade, como o polícia, o padre, o doutor.
Alguns dos bonecreiros ainda existentes remetem a origem dos bonecos para o tempo da escravatura, uma vez que o teatro de marionetas serviria como uma forma de reação aos maus tratos e injustiças infligidos aos escravos. Embora seja difícil de comprovar esta hipótese, ainda hoje podemos ver nas personagens negras o modelo do subalterno que não se inibe de criticar de forma cómica e subversiva os que sobre ele exercem poder.
Temas como o racismo, as injustiças sociais e a desigualdade na distribuição da riqueza continuam ainda presentes no reportório de teatro de bonecos, espelhando a sociedade contemporânea.
Bibliografia:
Brochado, Izabela et al., Teatro de Bonecos Popular do Nordeste. Mamulengo, Cassimiro Coco, Babau e João Redondo – Dossiê Interpretativo. Brasília: IPHAN, 2014.
1. Personagem: Soldado Anselmo
Bonecreiro: Desconhecido
Local de produção: Brasil
C.1980
Altura: 42 cm
Museu da Marioneta. Inv. MM808
2. Personagem: Benedito
Bonecreiro: Neide
Local de produção: Glória do Goitá, Brasil
2014
Altura: 58 cm
Museu da Marioneta. Inv. MM4505
Personagem: Limoeiro
Bonecreiro: Neide
Local de produção: Glória do Goitá, Brasil
2014
Altura: 56 cm
Museu da Marioneta. Inv. MM4506
3. Personagem: Caso Sério
Bonecreiro: Nando
Local de produção: Glória do Goitá, Brasil
2014
Comprimento: 49 cm
Museu da Marioneta. Inv. MM4517
4. Personagem: Chibana
Bonecreiro: Fernando
Local de produção: Glória do Goitá, Brasil
2014
Comprimento: 60 cm
Museu da Marioneta. Inv. MM4522
5. Personagem: Janeiro
Bonecreira: Bela
Local de produção: Glória do Goitá, Brasil
2014
Comprimento: 83 cm
Museu da Marioneta. Inv. MM4523
6. Personagem: Caroquinha
Bonecreiro: Zé Lopes
Local de produção: Glória do Goitá, Brasil
2014
Comprimento: 84 cm
Museu da Marioneta. Inv. MM4528
7. Personagem: Sargento
Bonecreiro: Zé Lopes
Local de produção: Glória do Goitá, Brasil
2014
Comprimento: 40 cm
Museu da Marioneta. Inv. MM4532
Textos: Marta Guerreiro
Organização e seleção de peças: Maria José Santos
Sargento
Museu da Marioneta




