Arquivo Histórico Ultramarino

O Arquivo Histórico Ultramarino associa-se, com este documento, ao projeto Testemunhos da Escravatura. Memória Africana do Gabinete de Estudos Olisiponenses, no âmbito da iniciativa Passado e Presente - Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura, 2017.

É um entre milhares de documentos do AHU relevantes para a recriação do tráfico e da vida, na sua dureza e complexidade, dos cerca de 4,5 milhões de escravos obrigados a atravessar o Atlântico, desde África até ao Brasil, entre os séculos XVI e XIX. Recriação esta que pode contribuir para o entendimento de fenómenos atuais de rejeição e aproximação entre culturas, sociedades e pessoas diferentes.


Modo de lavar os Diamantes

Sob o alpendre, escravas africanas lavam diamantes, vigiadas por um feitor. A singeleza do desenho, feito com o objetivo de ilustrar junto das autoridades portuguesas em Lisboa o processo de extração dos diamantes contrasta, mesmo que involuntariamente, com a crueza do trabalho escravo. [Brasil, Minas Gerais,Tejuco / Diamantina, ca. 1775]. Manuscrito, aquarela e nanquim, colorido, 17 x 22 cm. PT, AHU, ICONm, 011, D, D. 97

Anexo ao ofício do Intendente Geral dos Diamantes, João da Rocha Damas e Mendonça, para o Secretário da Marinha e dos Domínios Ultramarinos de Portugal, Martinho de Melo e Castro, remetendo este e outros documentos, sobre os habitantes da Demarcação Diamantina e a forma de extração dos diamantes. Tejuco, 15 de Fevereiro de 1775. PT, AHU, CU, 011, Cx. 108, Doc. 9

Transcrição das legendas

Declaração do Mapa em fronte:

Nº 1 Casa da Vigia, que fica fronteira à lavagem;

Nº 2 Casa da Lavagem;

Nº 3 Assento onde estão os Feitores que vigiam a lavagem;

Nº 4 Monte de cascalho às cabeceiras das canoas para se lavar;

Nº 5 Negros que lavam os Diamantes cada hum em sua canoa e cada Branco vigia oito;

Nº 6 Tanque onde cai água das canoas e as areias que nele ficam tornam-se a lavar;

Nº 7 Cascalho que se lança das canoas que também se torna a lavar;

Nº 8 Rego que conduz água para as canoas, e se introduz em uma bica de madeira coberta que passa por todas as canoas, tendo nas cabeceiras de cada uma um buraco com um torno, para quando se quer parar.

Constam comumente as lavagens de cinco brancos, que cada um vigia oito Negros como já ficou dito; há outras de menos gente, e algumas também de mais; há também serviços de duas e mais lavagens, conforme os paiões de cascalho, e as conveniências.


Seleção e textos: Ana Canas e Isabel Amado

Modo de lavar os diamantes

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