Praça do Município


O COMÉRCIO DE ESCRAVOS. CASAS E LOCAIS (1ª METADE DO SÉC. XV - SÉC. XVIII)

Lisboa assumiu um papel de relevo na diáspora africana, pois foi o eixo de uma vasta rede de ligações comerciais e sede de poderosas casas mercantis especialistas no trato negreiro, orientando o comércio atlântico de cativos para todo o império e Europa.

O tráfico de escravos foi inicialmente monopólio da coroa passando depois a contratadores privados.

O escravo começava por ser tributado na Casa dos Escravos (1486), localizada no Largo da Tanoaria (atual Praça do Município).

Um dos primeiros contratadores foi Fernão Gomes, a quem as viagens de exploração da costa africana valeram o apelido Mina e a nobilitação em 1474, ostentando no brasão de armas as maiores riquezas do Golfo da Guiné - os escravos e o ouro.


Brasão de Fernão Gomes. Livro da Nobreza e Perfeiçam das Armas, de António Godinho, c. de 1516-1528. ANTT

Na Mesa dos Escravos da Alfândega das Sete Casas, no Terreiro do Paço (séc. XVI) inscrevia-se a propriedade de escravos e o pagamento da sisa, após a sua aquisição a um corretor, mercador ou particular. Era também nesta instituição, que após a obtenção da carta de alforria, se atestava a liberdade do escravo.















Joaquim, pardo com dois anos ao qual tem muito amor pelo criar na sua cama quer dar liberdade para daqui em diante seja forro e livre de toda a escravidão como se de ventre de sua Mãe assim nasesse.

Registos Notariais de Lisboa, Certidão da Mesa das Sisas das Herdades de Lisboa, 1 de fevereiro de 1740