Boavista e S. Paulo


TRABALHO FEMININO

Preta Escamando Peixe, painel de azulejo. Museu de Lisboaa.jpg

Preta Escamando Peixe. Pormenor do painel de azulejos da cozinha do Palácio Pimenta. Autor desconhecido, séc. XVIII. Museu de Lisboa

O trabalho das mulheres negras de Lisboa foi muito representado em gravuras e pinturas da Época Moderna. Estavam por todo o lado, destacando-se em tarefas da esfera doméstica, da limpeza urbana e de venda ambulante.

Em 1552, todos os dias, andavam centenas pela cidade a vender ameixas, favas e chícharos cozidos, aletria, arroz e todo o género de alimentos.

Vendedeira de Tremoços, Manuel Godinho, 1826. Estampa nº 22 da 3ª Coleção do álbum Ruas de Lisboa, Museu de Lisboaa.jpg


Vendedeira de Tremoços. Manuel Godinho, 1826. Estampa n.º 22 da coleção do álbum "Ruas de Lisboa". Museu de Lisboa

Na limpeza doméstica da cidade, mil negras calhandreiras recolhiam os despejos das casas e lançavam-nos ao rio, não distando muito deste local os desaparecidos Caminho e Cais das Negras, à Boavista. À meia-noite, ouvia-se pelas ruas “uma corneta que junta estas gentes para que vão todas concertadas ao mar fazer esta ação”.

In, Della Grandezza e Magnificenza della Città di Lisbona. Gianbattista Confalonieri, 1593

Preta Calhandreira, desenho de Félix Doumet, 179-1806. Museu de Lisboaa.jpg

Preta Calhandreira. Aguarela. Zacharie, Felix Doumet, 179(?) - 1806. Museu de Lisboa



TRABALHO MASCULINO (SÉC. XVI)

Straw boat unloading. Black women emptying their pots, Sketches of Portuguese Life, Manners, costume, and character. A.P.D.G., 1826. Museu de Lisboaa.jpg

Straw boat unloading. Black women emptying their pots. Sketches os Portuguese Life, Manners, Costume and Character. A.P.D.G., 1826. Museu de Lisboa

Uma das consequências dos Descobrimentos e da saída de homens para os territórios ultramarinos foi a escassez de mão-de-obra urbana, e que foi em grande parte suprida por trabalho escravo.

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Trabalhos Portuários. Painel de Azulejos, Convento dos Agostinhos de N. Sra. da Graça de Lisboa. Séc. XVIII. Fotografia de José Vicente, 2017

A manutenção da vida urbana passou a depender dessa força, sobretudo nos trabalhos mais pesados dos cais, nas pescas e na agricultura, nos fornos de cal ribeirinhos e também ao serviço de conventos e palácios, como tão bem ilustrou um autor anónimo em 1578 "tratam de cavalos, servem de carregadores, de lavradores, de marinheiros e fazem muitos trabalhos". In, Ritratto e Riverso del Regno di Portogallo. Autor anónimo, 1578.

Negro acompanhando cavaleiro, painel de azulejos, Séc. XVII, Jardins do Palácio Fronteira. Fotografia de José Vicente, 2017b.jpg


Negro acompanhando cavaleiro. Painel de Azulejos, Jardins do Palácio Fronteira. Séc. XVII (?). Fotografia de José Vicente, 2017







E digo que nesta cidade há cinquenta mulheres, entre brancas e pretas, forras e cativas, que em amanhecendo saem da Ribeira com panelas grandes cheias de arroz e cuscuz e chícharos, apregoando […] compram [ameixas cozidas] a estas negras que as trazem muito limpas, com panos lavados e muito bem cobertas.

Grandeza e Abastança de Lisboa em 1552, João Brandão de Buarcos.












Vemos no reino meter / tantos cativos crescer / E irem-se os naturais / Que, se assim for, serão mais / Eles que nós, a meu ver.

Miscelânea. Garcia de Resende, 1533.