Bairro Alto e Santa Catarina

FAMÍLIA

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Retábulo de Nossa Senhora do Rosário. Igreja de Santa Catarina. Finais do séc. XVI. Fotografia de José Vicente, 2017.

A representação de um casal de origem africana em adoração a Nossa Senhora do Rosário expressa a crescente devoção católica dos negros.


A integração social e religiosa consentiram alguma autonomia de circulação da população escrava e incentivaram o casamento entre irmãos de cativeiro, com alforriados ou com a população livre.

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Cabeça de Negro. Desenho de Albrecht Dürer, 1508. Graphische Sammlung Albertina, Viena.

Por toda a cidade coabitavam com os amos ou dirigiam as suas casas. Em 1672, na antiga freguesia de Santa Catarina, 180 escravos viviam com os seus senhores e 32 dispunham de casa própria ou a partilhavam com outros.

Catarina, Escrava do feitor português de Antuérpia, desenho de Albrecht Dürer,  1521. Galleria degli Uffizi, Florença.jpg


Catarina, escrava do feitor português d`Antuérpia. Desenho de Albrecht Dürer, 1521. Galleria Degli Uffizi, Florença.

POPULAÇÃO E QUOTIDIANO

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Negro servindo. Óleo s/ madeira. Anónimo, séc. XVIII (2ª metade). Museu de Artes Decorativas Portuguesas

S. Tomé e Príncipe, Brasil, Mina, Guiné, Congo, Angola, Cabo Verde, Mombaça, Moçambique são alguns dos locais de proveniência da população negra que viveu no Bairro Alto desde meados do séc. XVI.

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Negra servindo. Óleo s/ madeira. Anónimo, séc. XVIII (2ª metade). Museu de Artes Decorativas Portuguesas

Em finais do séc. XVII já a maior parte da população cativa era composta por afro descendentes. Em 1672, perto do atual Miradouro do Adamastor, doze escravas serviam no desaparecido palácio do Conde de S. Lourenço.







[...] mandados para la de contra vontade do dito senhor Vasco Ribeiro de Castelo Branco e da senhora Dona Branca sua mulher. Os quais fizeram seus protestos que lhes não davam licença nem consentiam que os ditos seus escravos se casassem nem os libertavam para isso [...].

Arquivo Distrital de Lisboa, Registos Paroquiais, Paróquia de Santiago, Livro I casamentos, 18 de maio de 1593.














[…] aos domingos e dias santos de guarda […] se ajuntam cada uma das nações por sy em seus bairros e para se aliviarem do trabalho da semana gastam as tardes em suas festas e bailes [1587].

Crónica da Companhia de Jesus em Portugal. Padre Baltasar Teles. Lisboa, 1647